Presidente do PT no DF admite a queda da popularidade do partido em Brasília

Partido no poder há 13 anos, o Partido dos Trabalhadores vive um momento conturbado. A presidente Dilma Rousseff se reelegeu com uma diferença pequena para o segundo colocado e, em Brasília, Agnelo Queiroz, então governador e candidato à reeleição, sequer foi para o segundo turno.

Reaproximação

Fora do governo local, o PT tenta agora se reorganizar no Distrito Federal para voltar a ser competitivo nas eleições de 2018. A estratégia passa, em primeiro lugar, de acordo com o presidente regional da legenda, Roberto Policarpo, pela reaproximação com os servidores públicos do Distrito Federal e o debate com os movimentos sociais sobre a conjuntura política local.

“Nunca nos afastamos dos movimentos sociais, mesmo quando estávamos no governo. Quando o Agnelo era governador o PT sempre intermediou as negociações com os principais setores da sociedade”, declara Policarpo, que anuncia para os dias 7 e 8 de agosto um seminário para debater com os movimentos sociais os próximos passos do PT.

Policarpo afirma que não há pesquisas recentes sobre a popularidade do PT em Brasília, mas reconhece que, desde 2006, por força de uma campanha de intolerância orquestrada contra o partido, o rendimento eleitoral do PT vem caindo. Ele explica que será necessário trabalhar os pontos fracos para recuperar a popularidade.

“Agora que estamos fora do governo, nosso plano de ação não pode ser apenas eleitoral. Vamos defender nossas bandeiras históricas, daí então a eleição será apenas uma consequência disso”, avalia o presidente petista.

Aliados

Principais aliados do Partido dos Trabalhadores no DF, os servidores públicos, de acordo com o próprio partido, afastaram-se da legenda. Policarpo acredita que com as divergências existentes entre o funcionalismo público e o governo de Rodrigo Rollemberg (PSB), essa relação poderá ser restabelecida.

“Os servidores tiveram muitos ganhos durante nosso governo e agora o Rollemberg os trata como inimigos. Temos que restabelecer o diálogo com eles, mostrando como eles foram beneficiados em nossa gestão. Acredito que seja possível reverter essa situação não apenas com os servidores, mas em várias áreas”, aponta Policarpo.

Candidatos

Por ora, o partido se sente sem possibilidade na próxima disputa pelo governo local, tanto que ainda não trabalha nenhum nome para a disputa para o Buriti, mas garante ter opções para manter a tradição de encabeçar chapas ao Palácio do Buriti.

“Podemos pensar em compor uma chapa como vice ou ao Senado”.Roberto Policarpo, presidente PT/DF

“Ainda é cedo para analisar como estará o cenário político mas, temos sim, bons nomes para a disputa do governo de Brasília em 2018. Não estudamos ainda a possibilidade de não sermos cabeça de chapa, mas dependendo da conjuntura podemos pensar em compor uma chapa como vice ou ao Senado”, declara Roberto Policarpo, que aponta como possíveis nomes Geraldo Magela, a deputada federal Érika Kokay, os distritais Chico Vigilante e Wasny de Roure – caso não seja escolhido para o TCDF (Tribunal de Contas do DF) – e Arlete Sampaio, que teria que voltar de sua aposentadoria eleitoral para uma nova disputa.

Saídas

Sobre as possíveis baixas no partido por transferências para outros partidos, Roberto Policarpo diz que tem conversado com os nomes apontados como futuros dissidentes: Chico Leite e Cláudio Abrantes.

“Em relação ao Chico Leite não sei o que vai acontecer, pois ele nem confirma e nem nega sua ida para a Rede (Rede Sustentabilidade). Já nesta quinta-feira (30) vou ter uma conversa com o Cláudio para saber o que ele pensa”, anuncia Policarpo, que completa: “Nesses casos, o único ponto de interrogação é o Chico Leite, mas o Abrantes não, ele fica”.

Segundo o presidente do PT-DF, Cláudio Abrantes já teria dito que não sairá do partido, mesmo que não volte para a Câmara Legislativa. “Ele sempre me disse que mesmo sem mandato ficará no partido. Por isso, contamos com ele inclusive para 2018”, conclui Policarpo.

Entorno

Sem eleições municipais, em 2016, o Distrito Federal passaria desapercebido no cenário eleitoral se não fosse por sua Região Metropolitana. Boa parte dos moradores desses municípios trabalham em Brasília o que interessa ao PT.

Policarpo explica que é necessário se discutir as eleições dessas áreas e tentar eleger o maior número de prefeitos e vereadores, fortalecendo o partido nesses locais. O objetivo é que, um possível bom trabalho dos petistas nessas regiões, possa se refletir nas eleições de 2018 no Distrito Federal.

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